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Um banco vazio na frente de um café vazio. No meio da Champs Elyseés. Ainda está claro, mas já são nove e meia da noite. É que eu não me acostumo com o horário daqui. No Rio escurece muito cedo. Um banco agora com um par de esmeraldas mergulhadas em águas tão profundas quanto as do rio Sena. E um par de luvas geladas e enfiadas num casaco. Está um pouco frio, mesmo sendo julho. É verão, eu acho. E palavras. No banco, junto às esmeraldas e às luvas, haviam palavras. Figurantes desse retrato passam e perguntam-se o que se passa. Mas não se passa nada. Já passou. Faz tempo. São lágrimas acumuladas. A gota d'água. O estopim. Um copo transbordando. Um corpo transbordando. Primeiros indícios de uma tempestade. No meio da Champs Elyseés. Veja como Paris está linda ao fundo. Veja como tudo é enorme e parece exaltar o tamanho da dor. Mas não exalta. Será tudo silenciado. Esquecido. Como sempre. Mas o par de esmeraldas nunca esquece. Nem no meio da Champs Elyseés.
-24/07/14
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Letters from dandelion
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